Maria Júlia chegou!

Comecei a escrever este relato dia 02/06, mas só hoje consegui posta-lo. Em breve coloco as fotos para ilustrar o post.

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Sabe quando você olha uma pessoa e tem CERTEZA absoluta que vocês já se conhecem? Pois é, foi esta a impressão que tive ao ver Patrícia e Roger chegarem na sala de conferência da UNIMED. Eles estavam vindo assistir ao intensivo para casais grávidos, que nossa equipe faz, para apresentar nosso trabalho e falar um pouquinho a respeito da humanização do nascimento.

Ela me deu um sorriso tão lindo, que só damos para quem já conhecemos, foi aí que minha certeza aumentou. Logo fui na direção deles para saber os nomes e data provavél de parto( que era o aniversário da minha filha Hellen). Aproveitei e perguntei algumas outras informações, tentando descobrir de onde eu a conhecia. Mas foi em vão, nós NÃO nos conhecíamos.

Os dias se passaram e Patrícia (a da nossa equipe) me manda um email com o nome das grávidas que haviam me escolhido naquele intensivo. Passei os olhos na lista procurando o nome da Patrícia e lá estava ele, no último da fila.

Já no primeiro encontro que tivemos para a preparação do parto,  senti que a Patricia estava muito certa de que o parto natural era o que ela queria. Conversamos longamente naquela manhã, eu, ela e a mãe dela, D Terezinha. Mulher que pariu gêmeas sem nem saber que estava esperando dois bebês. Mulher forte que apoiava a decisão da filha.

Foi nesta manhã também, que conheci a gêmea da Patrícia, a Pâmela. Gêmeas univitelinas.

Durante toda a gestação, eu sentia que Patrícia bebia minhas palavras e informações. Nunca teve vergonha de perguntar nada durante os grupos de gestantes, sempre leu tudo o que eu dei, viu todos os videos, foi a todos os encontros. Mas eu sentia que ela era diferente, pois ela desde muito cedo, entendeu que o parto era dela, que só dependia dela e mais ninguém. Isso ficou mais evidente a medida que fui falando para ela dos meus planos de seguir com nossa tradição familiar, ir ao Beto Carreiro com meus filhos, marido, um casal de amigos e suas filhas, comemorar o aniversário das nossas filhas.

Nestas últimas semanas minha doulanda querida, parecia mais inquieta e ansiosa. Em um delicioso café em sua casa, conversamos sobre isso e ela confessou que a ansiedade tava grande.

Todos os dias ia pra cama pensando que naquela noite eu iria ser acordada com um telefonema. Mas me enganei, o telefonema veio hoje as 8:30 da manhã. Patricia dizia que estava com contrações irregulares, mas estava bem. Dei um jeito no consultório e as 10:30 fui ve-la.

Quando cheguei na casa dela, a encontrei sentada na bola de pilates rebolando quando vinham as contrações. Conversei, fiz uma massagem e ela me disse pra eu ir embora, que ela estava bem, iria ver Dr Paulo as 14 hr e depois me ligaria. 

As 14:15 hr recebi uma ligação do dr Paulo dizendo que Patrícia estava com 7 cm de dilatação e que deveríamos ir para Dom Joaquim. Novamente dei um jeito no consultório e segui para o hospital, queria esquentar a suite de parto antes que ela chegasse.

As 15:00 eu fui buscar o sonar no posto da enfermagem e na volta, vi Patrícia entrando na recepção do hospital. Ela andava devagar, mas parecia muito bem! No caminho conversou com duas conhecidas e logo me deu a mão, sorrindo pra mim. Aquele mesmo sorriso que eu vi no nosso primeiro encontro.

Uma vez na suíte de parto, Patrícia foi logo para o chuveiro. Ficou lá um bom tempo. Queria ficar ativa, rebolava, acocorava, fazia tudo o que eu propunha. E foi assim até o final.

O expulsivo foi longo e lindo!

Foi maravilhoso ver a natureza tomando forma na Patrícia. A cada puxo ela acocorava instintivamente, onde quer que estivesse e fazia força ajudando sua pequena Maria vir ao mundo.

Ela andava de lá pra cá, de cá pra lá, até que o Dr Paulo sugeriu a banqueta de cócoras. Na banqueta, Patrícia continuava a ajudar Maria; em cada contração ela se segurava nas barras com muita força, eu sentia que ela tentava transferir sua força para as mãos para que o períneo não lacerasse.

Foi na barra que a Patrícia passou a emitir sons guturais, sim, ela não gritava, ela emitia sons abrindo bem a boca, tentando mais uma vez institivamente, dar força para Maria continuar sua jornada.

Sem esperarmos, ouvimos um ploc! e sentimos a água da bolsa por todos os lados. E vinte minutos depois, bem lentamente, com uma circular de cordão, veio Maria Júlia. Tão linda, tão grande e foi direto para o colo da mãe.

Namorou a mãe um tempão e depois foi para o colo do pai. Aliás, uma das melhores cenas da minha carreira de Doula, até agora. Foi lindo ver o olhar dos dois se encontrando pela primeira vez.

Enquanto dr Paulo examinava o períneo da mais nova mamãe, Roger  me ajudou a medir, pesar e deu o primeiro banho  de balde na pequena Maria Júlia.

Patrícia, eu sempre acreditei que você conseguiria este parto e acredito que a cada dia você vai mostrar para si mesmo o quanto você é uma boa mãe e nasceu para isso, basta você também acreditar.

Roger, parabéns pela maneira em que você recepcionou sua filha, me amocionou muito!

Patrícia e Roger, muito obrigada por ter me escolhido, muito obrigada por permitir que eu fizesse parte desta história tão linda!

Dr Paulo, já te falei pessoalmente, mas vale a pena deixar registrado por escrito a minha admiração a forma como você conduziu este parto, aliás, a forma como você soube deixar que a natureza conduzisse este parto. Com certeza foi o mais lindo parto que acompanhei com você. Muito obrigada pela oportunidade de estar com você nesta jornada. E que venham muitos outros partos fisiológicos como este!