Parto Domiciliar Não é Tão Simples Assim!

Muito tem-se falado a respeito do parto domiciliar desde que o Fantástico fez uma reportagem sobre o parto da Sabrina, uma mulher urbana, super antenada, jovem e que resolveu receber seu primeiro bebê no conforto do seu lar, assistida por uma equipe humanizada composta por obstetriz (formação superior de 4 anos na Universidade de São Paulo -USP), médica neonatologista, uma doula de parto e uma doula pós parto.

Nesta reportagem o Fantástico pediu a opinião de um médico obstetra a respeito do parto domiciliar e este que é super a favor, deu sua contribuição verdadeira e baseada em evidências. Isto foi o suficiente para o Cremerj (conselho regional de medicina do RJ) fazer uma denuncia contra o médico no Cremesp. Após esta noticia, a mulherada do pais todo, saiu em passeata por mais de 20 cidade do Brasil, marchando a favor do direito de escolha do lugar onde ter seus filhos e mostrando que estão todas ao lado do médico injustiçado. O que gerou outra reportagem. (Eu estive na marcha em Florianópolis)

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Desde a primeira reportagem na Globo, muitas outras emissoras já fizeram sua contribuição através de entrevistas e reportagens ( A minha reportagem favorita está aqui)  Muita gente de peso da humanização foi dar sua versão de como as coisas funcionam realmente em um parto em casa.

O Brasil ao contrário de muitos países do mundo, como a Holanda e Grã Bretanha por exemplo, não tem leis ou protocolos a respeito desta modalidade de atendimento e isso dá margem para várias leituras da situação. Desta forma você pode encontrar parteiras tradicionais intuitivas aceitando qualquer coisa que vier, em qualquer condição, até médicos obstetra assistindo à um parto domiciliar somente se tiver uma uti móvel na porta de casa. Para acabar com a bagunça e as màs leituras, acontecerá no fim deste mês o ENAPARTU, uma conferência para determinar diretrizes e protocolos para o atendimento do parto domiciliar.

Eu fico feliz que o pessoal tenha se movimentado para isso, pois acredito que depois que se formaliza alguma coisa, a chance dela se tornar legal é muito maior e eu torço para que o parto domiciliar possa se tornar uma escolha da mulher, afinal o corpo é da mulher, o bebê é da mulher e ela, saudável, tem o direito de opiniar onde estar para parir seu filho.

Como não poderia deixar de ser, uma das mulheres mais influentes do cenário da humanização já começou a divulgar o que seria recomendações para a mulher que quer ter um parto em casa. A lista é extensa e me convence que o parto não é para qualquer uma e nem em qualquer condição. Espero que depois do ENAPARTU muita coisa se modifique, inclusive a cabeça retrograda e sem base em evidências de muitos profissionais.

Quem ficou curiosa para saber se encaixa no modelo dado por Ana Cris ou se você é um profissional que gostaria de assistir a PD, dá uma olhadinha a seguir.

PARTO DOMICILIAR PLANEJADO – ATENÇÃO PADRÃO OURO

1) Pré natal impecável, com todos os exames realizados, incluindo Ultrasom morfológico com aproximadamente 20 semanas, sorologias conforme recomendação do Ministério da Saúde, pelo menos 6 consultas de pré natal com avaliação de pressão arterial, altura uterina, peso materno, ausculta fetal. Anamnese completa.
2) Pré natal realizado por médico, enfermeiro obstetra, obstetriz ou uma combinação destes profissionais.
3) Permanecer como gestante de baixo risco até o final da gestação, sem doenças associadas. Situações especiais podem ou não ser classificadas como candidatas a um parto domiciliar, a depender de vários fatores: multípara, cesárea prévia ou pélvico, por exemplo.
4) Atendimento do parto por médico, enfermeiro obstetra, obstetriz com treinamento em emergências obstétricas e neonatais.
5) Informações completas sobre hospitais de referência na região
6) Equipamento completo de emergência: ambu, estetoscópio, medicamentos anti-hemorrágicos, soro para reposição de volume em caso de hemorragia, luvas e gazes estéreis, material de sutura, instrumentos esterilizados, e se possível um cilindro de O2 portátil
7) Início espontâneo do trabalho de parto, sem indução ou aceleração com ocitocina
8) Ausculta dos batimentos cardíacos fetais a cada hora (fase latente), a cada meia hora (fase ativa), a cada 15 minutos (expulsivo), especialmente após contração, com registro completo de todas as medidas e ações em prontuário individual.
9) Cuidado pós parto com pelo menos três visitas de membros da equipe, nos primeiros sete dias de vida do bebê
10) Emissão de DNV para registro do bebê, nos municípios onde há permissão da secretaria de saúde para retirada de DNV por profissionais.

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Este post foi publicado em 10/07/2012 às 12:12. Ele está arquivado em Ativismo, Coisas interessantes sobre parto, Doulas na TV, Parto, Reportagens sobre assistência no Brasil e marcado , , , , , . Guarde o link permanente. Seguir quaisquer comentários aqui com o feed RSS para este post.

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