Relatos

Relato de Parto da Martina por  Maila Reis Zétola  

Martina foi concebida no dia 10 de junho de 2011, numa noite de inverno, depois de algumas taças de vinho. Estávamos em Joinville e falei para meu sobrinho de 5 anos pedir ao Papai do Céu uma priminha. Ele pediu na hora!!

Durante a semana senti o único mal estar que sentiria em toda a gestação, sem saber ainda que estava gravida, e achei aquilo muito esquisito. Com o atraso da menstruação, fiz um teste de farmácia, deu positivo. Fiz mais 4, pois não acreditava. Duas linhas rosas. Na segunda-feira fiz o exame de sangue, e ai foi aquela alegria. A ficha foi caindo aos poucos.

Nossa ideia inicial era o parto domiciliar mas o valor ficou acima do que esperávamos. Sabíamos apenas que queríamos um parto o mais natural e humanizado possível, e neste momento vimos a necessidade de ter uma doula. Por indicação de uma amiga, chegamos na Rachel.

Difícil foi achar um obstetra humanizado. Não achei. Continuei com o mesmo GO que me atendia há 12 anos. Fui conversando com ele durante toda a gestação que queria um parto normal com o mínimo de intervenções e ele sempre concordava.

Minha gestação foi maravilhosa. Continuei praticando yoga (com a mesma intensidade inclusive fazendo as invertidas), não tive enjôos, nem inchaços ou dor lombar, muito menos dormi mal nos últimos dias que antecederam o parto. Me alimentei bem e busquei muitas informações.

Nossas consultas com a Rachel eram muito bacanas, e cada vez eu me sentia mais preparada para o grande momento. A Rachel me trazia livros os quais eu devorava em dias, comprovando que mulher informada é mulher empoderada. O trabalho dela foi muito importante, pois além de esclarecedor, ela nos ajudava a acreditar que tudo aquilo que desejávamos era possível e real.

É claro que o medo do desconhecido as vezes batia na porta, mas ai eu já mudava a frequência do pensamento e visualizava sempre que queria um parto rápido, seguro, tranquilo e indolor, isso era quase que um mantra pra mim!! Por vezes eu até ria quando mentalizava isso, e pensava: “quer mais alguma coisa Dona Maila?” Pois bem, palavra tem poder, e posso dizer que meu parto foi exatamente assim.

Na ultima consulta o GO veio com o papo de que a Martina estava com o dorso a direita, que isso podia deixar o trabalho de parto muito demorado e que contração sem dilatacão é sinal de cesárea. Essa foi sua última frase. Sai da última consulta muito indignada. Passei 9 meses falando que queria normal e já estava com 2 cm de dilatação. Eu estava no meu direito de tentar sem ficar alguém me falando sobre dificuldades e “botando areia”. Nesse momento, tudo que você quer é acreditar em você.

No dia 09 de março, eu já estava com 3cm de dilatação e saiu o tampão de manhã. Tirei até foto e mandei pra Rachel. Ela riu e disse que havia sido o maior que já havia visto.

Era semana de lua cheia, o auge dela foi dia 8 de março. Eu sentia que estava próximo mesmo. A data prevista para o parto era 12 de março, eu estaria entrando para 40 semanas.

Pratiquei yoga até um dia antes do parto.

No dia 11 de março tive umas contrações muito leves na madrugada. De manhã as contrações vinham bem fraquinhas e espaçadas bem irregulares. Liguei pra Rachel e ela nos disse que eu devia estar numa fase latente do tp, bem no início. Meu marido começou a anotar os intervalos, fui fazer almoço e descansar um pouco a tarde.

Quando acordei falei para o Túlio: “amor, vamos tomar sorvete na Paviloche, é o único desejo que não matei, acho que Martina só está esperando por isso”. Eram 17h.

Fomos a pé e eu apertava a mão dele a cada contração. Tomamos sorvete e voltamos caminhando com os pés pelo mar.

Quando pisamos em casa, a coisa começou a apertar. Eram 18h, fui para o banho e vi que as contrações que até então estavam leves, começaram a ficar mais fortes e mais regulares. Mas não irradiava para a lombar, então achei que ainda ia demorar e ligamos para a Rachel tranquilamente.

Enquanto esperávamos por ela, fomos fazendo alguns exercícios na bola, trabalhando a respiração e meu marido massageava meus ombros. Túlio foi demais durante toda a gestação, trabalho de parto e está sendo um grande pai.

Quando a Rachel chegou, na primeira contração que ela me viu tendo, a bolsa estourou. Eu disse: “ai que bom, agora vai ser rápido”. Ela me falou: “calma Maila, não vamos criar expectativa, pode ser que demore”. Mas eu estava certa!! Ufa!!

Fomos para o banho, e ali tive mais 3 contrações fortes. Falei pra Rachel: “está me dando vontade de fazer força”!! Quando ela me fala muito tranquilamente: “é Maila, você está no expulsivo, vamos para a maternidade”!! Rs.

No caminho ao som de um bom reggae, eu pedia para a Martina esperar só mais um pouquinho. Chegamos na maternidade as 21:35h, eu estava totalmente dilatada, pronta para parir.

A médica plantonista foi maravilhosa, me recebeu com um sorriso que me deixou ainda mais confiante quando falei que queria parto normal.

Nunca vou esquecer, eu de mãos dadas com a Rachel, e meu marido entrando na sala de parto colocando a máscara no rosto, tudo muito rápido.

As enfermeiras ficavam falando coisas chatas para fazer força repetidamente. Isso era um saco, e me tirava a concentração até larguei um: “calma gente, nunca fiz isso antes”. A Rachel me dizia: “calma, você esta indo muito bem”!!

Foram 5 forças (bem forçadas, hehe, e uma episiotomia que achei desnecessária, bem como uma dose de ocitocina na última força), quando senti minha pequena passando.

Neste momento foi uma chuva de hormônios, um turbilhão de emoções, o sopro da vida quando senti minha estrelinha em cima de mim tão pequenina. Ela não chorou assim que veio para meus braços, e eu nunca vou esquecer deste momento, do seu cheiro, do seu calor e da nossa troca de olhar.

Martina nasceu lindamente as 22:05h, no dia 11 de março com 48,5 cm e 2.850 kg, apgar 8/9 num parto maravilhoso, sem analgesia, com a participação da minha filha, que estava pronta para vir ao mundo!! Meu trabalho de parto efetivo durou 5 horas, e então o meu “mantra” se profetizou.

Me falaram que a gente esquece a tal dor do parto. Eu não esqueci, mas também não posso dizer que tive dor. Tive contrações bem intensas e fortes já no expulsivo, mas bem suportáveis (nem passou pela minha cabeça analgesia) e a cada uma delas eu pensava na Martina. E até hoje quando chega dia 11 de todo mês (e creio que será para sempre assim) eu revivo tudo isso, já sinto saudades daquela sensação, e acho uma delícia!!

Ainda me pego babando na Martina, desacreditada fico boba quando penso que ela estava dentro de mim e agradeço a Deus por ser perfeita e linda. É mesmo o milagre da vida!! E passei a cuidar com o que falar para uma criança pedir ao Papai do Céu pois ele atende imediatamente!! Hehe…

Acredito que todas as mulheres deveriam por direito ter uma doula durante sua gestação, tp e pós parto. O amparo que tivemos com a Rachel foi essencial pois não tivemos isso com o GO em suas consultas corridas e “objetivas”. E esse é um trabalho tão íntimo que no final das contas percebe que ganhou uma amiga!!

Muito obrigada por tudo Rachel!! #tamojunto#

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Relato da Vanessa Ruberti – Parto Normal após Cesárea

***Um pequeno fecho de luz iluminava o local, envolto num sereno escuro e num silêncio inspirador, somente quebrado por ternas palavras, daquelas baixinhas, de voz suave, de tom amoroso, de significado encorajador. Entre elas, profundas respirações e explosões  de força de uma mãe a alguns minutos de ter sua filha em seus braços. De um lado, uma doula excepcional, que se doou inteira para mim. Do outro lado, um médico fazedor de sonhos. Sob minhas costas, um esposo mais forte do que jamais pudera imaginar. Éramos como um ninho de pássaros, todos ali, encolhidinhos ao redor da luz, naquele canto simples, muito simples, de onde nasce a vida de sua forma mais sublime.

E foi ali que Serena nasceu e veio direto para o meu colo. Ficamos  ligadas fantasticamente pelo cordão do amor, pelo cheiro, pelo calor, pelos toques, pelas palavras, pela sinergia que existe naturalmente quando a natureza dos fatos não nos é roubada. Um pai exaurido de emoção bradava a lindeza daquela cena. Outrora, nunca imaginara ser capaz de tamanha façanha. Éramos dois pais acolhendo seu mais novo filho com os braços literalmente abertos. E a pequena luzinha continuava lá, acesa, permitindo que a aura de tranquilidade permanecesse, sob olhares alegres de nossos anjos do amor: Dr. Paulo Ricardo Soares dos Santos e Rachel da Costa Boritiyça Silva.

Devo a eles dois e a meu marido Julio os três nãos mais importantes da minha vida, dados quando eu, cerca de três horas antes, havia pensado em desistir e pedia uma cesárea. Logo eu, que me achava inabalável, e que tinha a plena certeza de que a palavra desistência nunca faria parte daquele dia. Não recebi “nãos” literais, recebi “sins” especiais, que me colocaram novamente no rumo do meu sonho e, assim, recobrei os sentidos e me senti iluminada, com tanta força que a dor sumiu para dar lugar à vontade de vencer. Depois de ter tido o primeiro filho, Lorenzo, através de uma cesárea, eu conquistava um parto natural, e os detalhes dessa aventura conto com orgulho e com o sincero desejo de motivar outras mulheres para também embarcarem nessa linda saga rumo ao parto humanizado.

*****Lorenzo nasceu em 29 de abril de 2007, depois de uma gravidez super tranquila e feliz. Sempre considerei o parto natural apropriado e era isso que eu queria. Fui acompanhada também pelo Dr. Paulo Ricardo Soares dos Santos. Ele, na época, já mostrava seu apreço à naturalidade do parto, mas ainda não estava envolto pela premissa da humanização. Soube, agora, que foi exatamente naquele tempo em que pensou em abandonar a obstetrícia, pelo seu desalento quanto aos rumos da profissão. Em seu consultório, ministrava pequenos cursinhos sobre o tema parto natural. Fazia por responsabilidade, sem nunca ter cobrado nada para isso, a não ser a nossa atenção e interesse. Porém, na época, como já mencionei, não havia ainda o projeto de parto humanizado e eu caí na rotina do hospital, quando chegou a hora de Lorenzo vir ao mundo externo. Logo que cheguei, com 3 cm de dilatação, às 22 horas de um sábado, fui encaminhada ao quarto numa cadeira de rodas, sem entender o motivo de tal conduta, já que eu podia caminhar normalmente. Lá no quarto, fui orientada a ficar deitada pela enfermeira, que chamaria o Dr. Paulo caso o trabalho de parto evoluísse.  E assim virei a noite perambulando naquele quarto e num corredor muito frio, meio perdida mesmo, sob olhares desconfiados de funcionárias que sentenciavam: “Está demorando muito, terás de fazer cesárea”.  Quando o médico chegou, às 7 horas de domingo, lembro bem de seu semblante de decepção ao me examinar e perceber que absolutamente nada havia evoluído. Então, como eu estava sem dormir desde às 4 horas da manhã de sábado e há muitas horas sem me alimentar, e estávamos já no domingo, todos os fatos corroboraram para eu me considerar uma derrotada e acreditar que me restava apenas uma cesárea. Lembro que chorei de decepção e que Dr. Paulo me disse que eu teria outra chance no futuro (profético ele!). O meu lindo Lorenzo nasceu super bem, Apgar 10/10, mas não me lembro de quase nada daquele momento. Estava sozinha, fiquei com medo e tremia muito de frio, porque eu jamais tinha me imaginado naquela condição. Com a anestesia, apaguei num sono profundo, e fui acordada pelo anestesista para ver o meu filho nascer. Não fosse pelas fotos, aquele momento ficaria no vazio. Fui vê-lo horas depois, sem poder pegá-lo direito. Tinha de ficar deitada, o que prejudicava a amamentação. Tinha fome, mas não podia comer. Tinha uma sonda, porque não dava para levantar. Tinha dor, tinha um cateter no pulso, tinha de ficar tomando soro direto, impedindo os movimentos. E nem vou continuar com a lista, porque é muito extensa! Vamos pular quatro anos e conhecer outra história mais gostosa de ler.

**** Engravidei novamente em abril de 2011 e me conheço tanto que fiz o teste antes mesmo de atrasar a menstruação. Positivo! A vontade de ter um parto natural ainda permanecia entre meus desejos mais queridos. Porém, pairavam os preceitos do senso comum, entre eles o mais disseminado: cesárea do primeiro filho é sentença para a segunda. Bom, sempre procurei ler e me informar acerca da veracidade deste fato e li vários relatos de mães que conquistaram o parto natural depois do cirúrgico. Além dessa questão, tinha em mente a lembrança do parto do Lorenzo, quando Dr. Paulo havia dito que pressupunha ter havido uma desproporção céfalopélvica.  Puxa vida, e agora? Será que eu teria mesmo outra chance? Porque, para ser sincera, o que passa de fato pela sua cabeça é que você é incapaz de funcionar. Eu ouvia outras histórias, todas de sucesso, e pensava: Por que eu não consegui? Estava tão focada, fazia exercícios, me informava, era um capricho só, por que comigo não?

Era hora de agir, marquei logo um consulta com Dr. Paulo. Tinha de tirar essa dúvida, precisava de respostas. Qual não foi minha surpresa ao ser informada sobre o projeto Gerando Novas Vidas que foi fundado por um grupo de profissionais em Brusque. Fiquei de cara maravilhada, encantada, e não via a hora de começar a freqüentar o curso que ministram. Encantei-me com a equipe, em todos os sentidos. São amorosos, tem conhecimento acadêmico, experiência prática, primam pelos princípios éticos, morais e têm no respeito à gestante o pilar do trabalho que desenvolvem.

A Rachel, uma das doulas do projeto, me escolheu para ser sua doulanda.  Que honra. Tivemos vários encontros de preparação, nos quais ela nos preparou e nos informou sobre vários aspectos que envolvem o nascimento. Livros, vídeos, fotos, documentários, conversas, tudo fez parte dessa fase. “Tenho absoluta certeza de que você, Vanessa, tem plenas condições de ter sua filha através de um parto natural”, ela me dizia sempre. Do outro lado, o Dr. Paulo também me incentivava e me poupava de ultrassonografias e consultas muito frequentes, exatamente para deixar a natureza seguir seu curso, sem tantas intervenções externas, muitas vezes desnecessárias. Por sua vez, argumentava que a cesárea anterior deveria ficar no passado. Agora, escreveríamos  juntos um novo capítulo.

*** O parto da Serena estava previsto para 28 de janeiro de 2012. Mas mãe de segunda viagem sabe identificar quando o seu rosto fica com cara de bolacha, quando a introspecção se acentua e quando a sensibilidade aflora aos limites do chororô por qualquer coisa. Sem contar aquelas contrações que passam a doer, as idas fenomenais ao banheiro e certa irritabilidade.

A gestação da Serena foi marcada por muito trabalho. Além do profissional, fizemos mudança para nova casa e havíamos terminado tudo na primeira semana de janeiro. Uma correria. Na segunda-feira, dia 9, resolvei adiantar várias pendências profissionais (tenho uma editora junto com meu tio, e somos editores e diretores do jornal O Trentino). Parecia intuição. Dei duro para ajeitar tudo, encaminhar pendências, orientações, enfim, garantir que nada desse errado enquanto eu estivesse ausente. Ao longo desse dia, estranhei o fato de ter mais contrações do que o habitual. Também tive muito mais vontade de ir ao banheiro. Às 19 horas, fui dirigindo buscar meu marido no trabalho. Às 20 horas, comecei e perceber que tinha contrações de 5 em 5 minutos. Dei um tempo para processar mentalmente que era chegada a hora, e como o cenário permanecia o mesmo, começamos a monitorar o tempo e intervalo das contrações.

Elas foram aparecendo em menos tempo, até chegar a 3 para cada 10 minutos. Eram aproximadamente 22 horas. Aí ligamos para a Raquel, que acionou o Dr. Paulo, que me retornou a ligação. Falou que a Rachel viria até Nova Trento avaliar a situação. Ela chegou por volta da meia-noite. Sugeriu que eu tentasse dormir, pois precisaria de força para o parto. Ela e meu marido ajeitaram tudo para mim e me deixaram no quarto, fiquei 5 minutos deitada porque era uma tortura aquela posição inerte. Se desse para dormir, tudo bem, mas como eram chatinhas aquelas contrações.

Assim, começamos nos exercícios com movimentos circulares na bola, dentro e fora do chuveiro. E a noite foi passando… Como a Rachel percebeu que eu quase pegava no sono sentada na bola, preparou uma bolsa de água quente, que colocou nas minhas costas. Ficamos na sala e acho que dormi uma horinha sentada no sofá, sendo acordada pelo clarear do dia no janelão de vidro da sala. Logo começamos as caminhadas e agachamentos e, às 7 horas, a Rachel deduziu que começava o trabalho de parto ativo. Não parávamos os exercícios e as contrações ficaram bem ritmadas, estava tudo muito tranqüilo. Sentia muita felicidade e segurança pelo fato de a Raquel estar na minha casa

Dr. Paulo foi informado da situação pela Rachel. Ele decidiu vir a Nova Trento. Nem podia acreditar em tamanha atenção. Parecia inacreditável para mim. Aqui, em Nova Trento, me examinou na tranquilidade do meu lar e constatou que a bebê estava cefálica e que eu estava com 7 cm de dilatação, o que foi motivo de muita alegria para todos. Decidimos ir a Brusque. Arrumamos as coisinhas de última hora que eu ainda não tinha deixado prontas. Era por volta das 11 horas. Na viagem, percebi que as contrações ficaram mais distantes, embora o trajeto de aproximadamente 1 hora tenha sido bem desconfortável. Chegando ao hospital, fomos até a sala de parto humanizado e logo a Rachel me colocou na banheira de hidromassagem. Era muito bom e agradável que eu quase adormecia, tentava até, mas daí vinha a contração e não tinha como cochilar. Aí continuamos com agachamentos, caminhadas, massagens, mas eu fui percebendo que o processo parecia ter estagnado, embora eles não me falassem nada. Comecei a pedir em que hora do dia estávamos. A Rachel me disse que eram 16 horas. Achei que tinha passado um bom tempo já, fiquei desconfiada, porém ainda tranqüila.

Foi então que, pouco tempo depois, Dr. Paulo entrou na sala, fez novo exame e rompeu e bolsa. Quando levantei, creio que senti a dor mais forte de todas e segurei fortemente as mãos da Rachel. Fiquei com medo, assustada. Aquela água quente ia escorrendo pelas pernas enquanto andávamos e, nessa hora, pensava muito nas minhas avós, que tiveram 12 e 9 filhos em casa, e buscava nisso a força para continuar. Afinal, eu estava numa condição muito mais privilegiada que elas. Não me lembro bem do que fizemos nesse período porque a mulher fica numa fase transitória entre a razão e a emoção. O que recordo é que fui cansando dos exercícios ( embora tenha me preparado fisicamente com muito Pilates e caminhada até o final da gestação). Além do cansaço físico, o pior foi a desmotivação. Com o silêncio da equipe, embora eu pedisse um parecer sobre o que estava acontecendo, senti que a coisa havia parado. Naturalmente, veio em mente o que havia acontecido no parto anterior, mas o que se sobrepôs foi realmente o cansaço. Estava literalmente acabada!  E tudo pode ser superado quando há motivação. Mas a minha, naquele momento, havia sumido, embora eu tenha ganho um delicioso picolé de abacaxi da Rachel.

Queria desistir, pedi para a Rachel, para o Dr. Paulo e para o meu marido uma cesárea. A Rachel foi firme e disse que eu ia conseguir seguir adiante e me arrependeria se desistisse àquela altura. O Dr. Paulo só ouviu e não me respondeu nada, exatamente porque desejava um desfecho diferente. O meu marido disse que eu não deveria desistir e que estava aí para me apoiar até o fim. Então sugeriram que eu esperasse até 19 horas. Eu ouvia o celular tocar lá fora e imaginava meus familiares angustiados, via a equipe cansada também e, de certa forma, mesmo sabendo que é errado imaginar isso, eu me sentia culpada pela situação.

A Rachel me perguntou se, caso o Dr. Paulo me examinasse, e constatasse que eu havia evoluído para 9 cm, eu ainda pensaria em desistir. Eu não respondi nada. Mas a verdade era que não iria desistir. E ela percebeu. Num estalo, sugeriu que eu fosse até o chuveiro, “para aguardar o anestesista chegar para fazer a cesárea” (essa foi a mentirinha que contaram). No entanto, no exato momento em que sentei no banquinho que lá estava, comecei a sentir vontade de fazer força. Era isso! Era o sinal que faltava! Ganhei um gás, uma motivação, percebi que havia avançado para a fase decisiva. De presente  ganhei do Dr. Paulo uma deliciosa barrinha de doce de leite para comer. Que situação atípica e inusitada hein? Parece que a gente vira criança! Eu só pedia a Dr. Paulo e Rachel que queria ficar ali, debaixo do chuveiro, e ia fazendo força a cada contração. Com jeitinho, me convenceram a sair do local e ir até outro canto da sala, onde existem barras de metal para a gestante se segurar no período expulsivo.

Meio sem noção do que se passava, eu só me guiava pelas contrações e pela vontade fazer força. Fiz muita força, mas para mim era tudo muito tranquilo, estava muito calma, parecia que uma luz divina me iluminou naquela hora. Não sei explicar como, mas não tenho memória nenhuma de dor desse período. Por algumas circunstâncias excepcionais que se sobrepuseram no meu parto, Dr. Paulo teve de conduzir parte do período expulsivo, o que não é praxe num parto humanizado. Eu fechava os olhos numa concentração enorme e fazia o que ele orientava, com muita paciência. Acho que durou mais de uma hora essa fase. Para não me desmotivar, eu não olhava pelo espelho que é colocado abaixo do banco, com medo de ver sempre a mesma situação. Fechava os olhos e me concentrava, sabia que uma hora ela viria. E assim, de repente, ouvi o meu marido dizer: “Olha que linda mãe”. Foi aí que olhei e vi o rostinho dela saindo, e logo senti seu corpinho saindo também. E o meu corpo anestesiou. Dr. Paulo colocou a minha filha no meu colo. Abracei aquele corpinho quentinho, tão pequenino e a chamei de AMOR. Aquele chorinho frágil de um ser tão inocente me deixou completamente sem fala. O Julio chorou muito e só dizia: que lindo, que lindo! Eu senti uma emoção tão profunda que não consigo traduzir em palavras, o que posso afirmar é que nada do que vivi até hoje e viverei no futuro poderá se comparar ao fantástico momento do nascimento da Serena, que ocorreu às 21h37min de 10 de janeiro de 2012, depois de 15 horas de trabalho de parto ativo.

Olhava cada detalhe dela e ficamos abraçadinhas até o cordão umbilical parar de pulsar. Então, fomos desconectadas fisicamente através do corte desse elo, feito pelo papai Julio. Serena logo depois já foi amamentada e seguimos, as duas, para cuidados posteriores. Na mesma noite já tomei banho sozinha, no outro dia tive alta, e pude livremente cuidar da minha filhinha desde o primeiro momento. Ela faz jus ao nome, é de uma serenidade imensa. Somos uma família realizada e feliz pela conquista desse sonho e devemos essa vitória a pessoas que olham o mundo com a vontade de promover o amor, de dar sua contribuição para promover um novo vigor de humanidade.

É preciso que a mulher volte a acreditar em si mesma, que conheça sua força e que seja encorajada e apoiada para o papel de mãe que a natureza lhe deu de presente. Eu passei pelos dois papéis. Tive um parto que não foi meu, e tive um parto que foi meu. AFIRMO, CATEGORICAMENTE, QUE NÃO HÁ COMPARAÇÃO POSSÍVEL. Acreditem, mulheres, que vocês são capazes e mergulhem neste projeto, tenham seu filhos num parto humanizado e construam uma história incrível em suas vidas. Bebês precisam muito mais de um momento natural no seu nascimento do que quartos decorados. É curioso perceber que muitas mulheres dizer temer a dor do parto, mas se submetem a procedimentos estéticos muito doloridos sem medo algum.  Sem fazer juízo de valor, creio estes são os desígnios do mundo coisificado, da falta de essência, de valores, de amores.

Ao Dr. Paulo, Rachel e toda a equipe, ficam meu eterno reconhecimento e apoio para que continuem adiante. A tarefa é árdua, eu sei. Lutar contra o sistema não é fácil. Porém, não é de sentimentos pequenos que a humanidade tem se transformado. São de grandes sonhos, compostos por grandes homens e mulheres, que mobilizados e com conhecimento, removem montanhas intransponíveis.

A história é uma carroça em movimento, que tem lugar para todos que não discriminam, não argumentam a individualidade da questão e que se superam e vencem nas ocasiões mais inesperadas. E nós, que embarcamos nesse sentimento do nascer com o amor, já estamos nesta carroça metafórica, estendendo os braços, as mãos e a alma para todos aqueles que são bem- vindos ao seio de uma nova humanidade.

Ao mesmo tempo estamos negando as mãos e os braços para aqueles que desejam perpetuar a discriminação, a injustiça psicológica, social e econômica, a excludência, a retidão dos números para certos interesses mesquinhos e desumanos.

A vocês, Dr. Paulo e Rachel, grandes sonhadores, a nossa alegria, a nossa festa, a nossa estima, o nosso agradecimento e o nosso imenso carinho. Viva a vida!

Vanessa Celis Ruberti, 34 anos, mãe de Lorenzo e Serena

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Relato da Jussara Batista – Primeiro parto com DOULA no SUS de Brusque.

Desde antes de engravidar, minha opção sempre foi  pelo parto natural. Assim que descobri que estava grávida, procurei  pra fazer particular, mas minhas condições financeiras não permitiram. Fazendo um curso de gestante, descobri o trabalho das doulas e fiquei interessada em ter uma comigo no dia do meu parto. Achei o trabalho delas com a gestante a parte mais importante de todo o processo do parto. Entrando em contato com algumas pessoas fui direcionada a Rachel e acabamos marcando um encontro. A minha gestação foi extremamente tranqüila  e minha bebe estava encaixada na posição certa para o parto natural, eu me sentia muito bem para que tudo acontecesse como eu sempre desejei. Procurei ler muito sobre parto durante todo tempo e me preparar psicológicamente para o dia do nascimento.

Eu fiz meu pré natal todo pelo SUS e meu parto também seria pelo SUS. Foi lendo que descobri que toda parturiente tinha direito a um acompanhante de sua escolha LEI 11.108, 7 de abril de 2005. Foi então que decidi lutar para que a doula entrasse comigo na sala de parto, conforme autorizava essa lei.

Minha filha resolvei nascer antes do prazo determinado que era 15/10/11 e em 25/09/11 estourou minha bolsa ás 02:00 da manhã e começou o trabalho de parto. Meu marido ligou para Rachel que imediatamente foi até minha casa e me deu o suporte necessário para que permanecesse lá até próximo ao nascimento da Sara. As 06:50 saímos em direção ao hospital, e levei a lei impressa dentro de minha bolsa, caso alguém barrasse a Rachel. O advogado me instruiu que se eles resolvessem ir contra a lei, que o hospital tinha que negativar, ou seja, escrever por escrito o por que de não ter deixado ela entrar para que eu pudesse abrir um processo, caso isso acontecesse.

Eu realmente estava disposta a lutar pelo meu direito, mas graças a Deus não precisou.  O médico consentiu que a Rachel entrasse e permanecesse lá até o nascimento da Sara. Confesso que sem a Rachel eu não teria conseguido.

Ser mãe é tudo de melhor que Deus tem guardado pra uma mulher e ter tido minha filha de parto natural, foi  melhor e mais incrível experiência da minha vida. Me tornou mais forte, me fez ter certeza de que  quando desejamos algo de todo o coração, conseguimos realizar.

Meu sonho  Sara Helena realizado em 25/09/2011. Nasceu com 36 semanas, a hora que ela quis nascer, cheia de saúde e recebida com muito amor de todos os lados.

Obrigada Deus pela minha filha e por ter colocado a Rachel em meu caminho!!

Jussara Batista.

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Relato da Marilú – O primeiro parto que acompanhei em Brusque

QUEM ME CONHECE SABE QUE QUASE NÃO GOSTO DE FALAR POUCO… POR ISSO FIZ UM BREVE RESUMO DE MINHA GRAVIDEZ, PREPARO E CHEGADA DA NATÁLIA…

Busca de 5 anos se concretizou em 19/07/2010 com o nascimento da luz da minha vida… NATÁLIA (NASCEU COM51 cm E3,150 kg E ASSIM LINDA CFE FOTO ANEXA). Foi o presente mais maravilhoso que a vida já me deu…

É muito interessante como apesar de todas as palestras assistidas e todas as informações lidas…antes da chegada você se sente insegura… E mais interessante ainda é quando você a pega nos braços a 1ª vez olha nos olhos… e se sente tão segura de si mesma e tão preparada como se já tive-se tido vários filhos… Na 1ª troca apesar da ansiedade, que quase não faz parte da minha personalidade… peguei a pequena Natália… e simplesmente nos entendemos… e as pessoas em voltam perguntaram nossa vc já fez isso quantas vezes…rsrsrsrs e continuei…. o 1º mama dela foi fascinante… e a disposição para tudo isso, simplesmente fantástica… Toda essa segurança tenho certeza que foi possível graças ao parto que optei… pois estava muito bem comigo mesmo e forte o suficiente para cuidar, proteger e amar muito a Natália.

A opção por parto normal já tinha em mente a 4 anos, após o nascimento da minha afilhada Ana Carolina e minha sobrinha Ana Júlia… Ambas vieram ao mundo por intermédio do Dr Paulo. Ele me acompanhou desde os 20 anos como ginecologista. Sempre me transmitiu a confiança de um pai, por isso sempre me senti segura! Além de ele ter proporcionado o nascimento das 2 pequenas que amo como se fosse minhas filhas também.

Meu marido, sempre na correria do dia a dia não conseguia acompanhar nas consultas e muito menos nos cursos, às vezes me batia uma tristeza com a sua ausência nestes momentos. Mais quando estavam em casa, sempre foi muito atencioso comigo e com a Natália. A única palestra que ele participou foi pela UNIMED onde o Dr Paulo deu a palestra. Para minha angústia uma das gestantes deu um depoimento cuja irmã não teve uma boa experiência no parto normal! Isso acabou gerando uma enorme insegurança em meu marido. E ainda, uma pessoa muito querida na família, perdeu o Bebê quando estava de 8 meses, como também estava neste período … ele ficou apavorado… e insistiu na troca de médico na busca de uma cesariana. Fora a pressão de alguns amigos e familiares que não estavam esclarecidos quanto ao parto normal. Isto tudo, por que eu e a Natalia não poderíamos correr nenhuns riscos… 5 anos são 5 anos e a possibilidade de nova gravidez era difícil. O que eles não sabiam é que o risco de uma cesariana era bem maior.

Deixe o Dr Paulo ciente da situação, ele me deixou a vontade em procurar outro profissional. Mais não era o que eu gostaria e queria… Ele me pediu que busca-se o auxilio de uma Doula. Escolhi a Ionara que na palestra me passou bastante segurança. Super atenciosa… Nas consultas consegui encaixar um horário para que meu marido pôde-se comparecer, também pedi ajuda a minha sogra, pois ele sempre escutou muito sua mãe… assim ele foi mais tranqüilo, mais ainda decidido que a Cesariana seria a melhor opção. Meu cunhado e compadre também conversaram muito com ele, colocando que o melhor seria a opção que eu escolhe-se e que me senti-se segura…

Após consulta com a Ionara ele se tranqüilizou e apoio minha decisão, mais ainda deixando claro que se sofre-se ele iria pedir pela cesariana…

A Ionara me preparou com material sobre parto, como CDs, informativos e longas conversas. Para saber lidar com a ansiedade e as pessoas que estavam ao meu redor… pois tinha em volta de minha muito zelo de minha família…. mais a pressão da chegada. “não nasce mais… já venceu o prazo, faz cesariana…. entre outros comentários… isto acabava sendo uma constante… e juntando a insegurança se você não estiver preparada da uma confusão na cabeça …”

Dia 17/07/2010 tive uma noite bem agitada, quase não consegui dormir.

Dia 18/07/2010 trabalhei o dia todo, até gavetas que estavam arrumadas dei jeito de arrumar novamente. (estava numa neura de limpeza. Rsrsrs). Resultada no final deste dia estava exausta… doida para dormir a noite toda…

Mas meu presente estava próximo. No dia 18/07 as 17:00 comecei a sentir umas contrações leves e seqüenciais… Fiquei quietinha e comecei a fazer contas… meu marido estava na sala… Não quis alarmá-lo ainda…

As 19:00 as contrações se tornaram seqüenciais e mais próximas. Quando liguei para Ionara passando como estava me sentindo… ela pediu que marca-se o tempo e entra-se em contato com o Dr Paulo. Foi quanto fui para o chuveiro e pedi para meu marido marcar o tempo, sem ELE saber ainda o que se passava… Fiquei 30 minutos no chuveiro e as contrações estavam em torno de5 a7 minutos… Meu marido queria que me dirigi-se ao hospital, mais eu não queria. Estava bem em casa.

Peguei o material que a Ionara havia me passado referente a exercícios para o parto e comecei a fazer. Entre as contrações liguei para o Dr Paulo e passei a situação das contrações. Ele disse então que tudo indicava que este seria o grande dia… ou o inicio dele.

Quando era 22:40 meu marido ligou para meu pai e pediu para vir até a minha casa. Quando ele chegou era 23:40, já estava com tudo arrumado para ir ao hospital. Detalhe estava com a mala pronta desde 28/06.
Foi um pouco ruim ir no carro para hospital, pois não tinha como fica em um posição confortável, mais os buracos na estrada deixava bem incomodo o trajeto…

Mais pensava muito na Natália.

Chegando ao hospital dei entrada no quarto de parto humanizado e continuei com os exercícios.

Passou uns 10 minutos a Raquel (dola) chegou. A Ionara não pode comparecer (estava passando mal no hospital).

A Raquel foi um anjo, me senti no inicio um pouco insegura, pois todas as consultas anteriores foram feitas com a Ionara. Mais com sua experiência a Raquel foi conduzindo meu marido a me auxiliar nos exercícios e massagens e tudo ficou bem.

Quando Dr Paulo chegou estavam na sala meu pai, mãe e marido. Ele pediu para o Eder acompanhar meu pai e minha mãe para a sala de espera. Apagou a luz e trouxe um aquecedor potente… pois estava muito frio… e o hospital esta precisando de uma doação de aquecedor… o que eles tinha não funcionava direito.

Desde momento em diante ficou na sala de parto eu e a Rachel. A cada posição que ela me conduzia me sentia mais segura e confortável. As massagens nas costas também ajudam muito entre as contrações. Estava muito cansada em virtude da noite anterior + dia agitado. Não esqueci de levar a água de coco, mais bolachinhas…

A Rachel foi super paciente, em virtude do meu cansaço não estava disposta a caminhar. Preferir os exercícios mais parados como a bola e os agachamentos… ela me apoio o tempo todo, em palavras e como apoio mesmo… já estava com pena dela… pois meu tamanho perto dela… fazia diferença. Como ela me instruía a jogar o peso do corpo para relaxar era assim que fazia.

Pensava o tempo todo na Natalia… em vê-la e tê-la em meus braços, poder abraçar, tocar, beijar … As contrações eram tranqüilas o cansaço fala mais alto. No final das contrações cheguei a dormir… isto em contrações de1 a2 minutos. Elas vinham e a Rachel novamente servia de apoio fazia as massagens. Achei que iria desmaiar do cansaço… mas não podia a Natalia estava chegando.

O Dr. Paulo entrou na sala e pedi novamente o exame de toque. E ele achou melhor não fazer…

Acabei evacuando um pouquinho. Quis então ir para o chuveiro Rachel me trouxe o banquinho de cócoras e me conduziu ao banheiro. No chuveiro tinha umas barras de apoio foi ótimo além de relaxar totalmente com a água pude dar um descanso para a Rachel. Também o banho me despertou novamente…

Comentei com a Rachel a enorme vontade de evacuar que estava sentido… ela disse “Mari você esta bem próximo de ver a Natalia… Estas indo muito bem, vou chamar o Dr Paulo…”. Quando ele chegou pedi novamente o exame de toque. Quando feito o Dr Paulo constatou “ela esta chegando Mari, quase coroando”.

Como estava bem ali no chuveiro não estava disposta a sair dali… o cansaço fala alto.

Mais me dei conta do Eder a o quanto seria importante ele ver a Natália nascer. O Dr Paulo sugeriu irmos para fora e ele ser meu apoio assim ele participaria do nascimento.

Ele então chamou meu marido, e ele foi incrível… ficou comigo no final me abraçou e segurou… e o que mais queríamos era ver a Natalia nascer, foi tudo fascinante.

O Dr Paulo e a Rachel simplesmente uns anjos… que me transmitiam muita segurança.

Dr Paulo disse ela já corou… senti a cabecinha. Estava cheia de medo em tocar e machucá-la afinal ela também estava exausta.

Assim que ela chorou o pai e a mãe não se contiveram e entraram no quarto as lagrimas corriam todos emocionados e eu hilariante, rindo a toa ao vê-la.

Dr Paulo pegou e enrolou em um lençol e entregou para mim ainda com o cordão… e ela mamou… Ao pega-la ela parou de chorar… seu olhar para mim foi inesquecível… o elo é muito forte. Hoje só com o nosso cheiro (mãe e pai) ela já se acalma…

Após ela mamar seguiu para a caminha, para tomar um banho de luz, enquanto isso o Dr Paulo ali mesmo sobre o colchonete me deu exatos 1 ponto e meio…

Apesar do cansaço estava muito bem… foi tudo muito acolhedor…

Logo após os pontos fui para o chuveiro…

Quando me perguntam como foi doeu muito? Foi uma cólica forte, mas nada comparada ao 1 ponto e meio e o exame de toque – que com certeza doeu mais…

Também me perguntaram fizeram alguma força na barriga em momento algum, muito pelo contrario apenas o acompanhamento perfeito… Não foi pedido para fazer força para a Natalia nascer e nenhum tipo de pressão sobre ela. Ela veio quando era para vir EM SEU TEMPO, e quanto mais passava, mais vontade eu tinha em vê-la.

Não recebi anestesia alguma, e as contrações iniciais e finais para mim eram as mesmas… O que alterava era o tempo em que ocorreriam… na expulsão o que senti foi um leve quemor…E ao ela nascer o que senti foi MUITO AMOR, MUITA FELICIDADE E MUITA SEGURANÇA…

A sim extravasei literalmente no final… o Dr Paulo deve ter pensando em virar dentista.. Estava muito a vontade…E quando soltei o verbo, não foi de dor, mais sim uma forma que achei de buscar força para a expulsão… pois estava muito cansada!!!

Cada parto é um parto, cada mulher é uma mulher… e cada sentindo é um sentido… não se pode comparar situações… fui preparada psicologicamente para muita dor… E O QUE SENTI não chegou perto… do que esperava… ACHO QUE DEUS NO PREPARA DE UMA FORMA QUE O AMOR QUE SENTIMOS AO DAR A LUZ… SOBRESAI QUALQUER OUTRO SENTIMENTO.

Vou confessar as ultimas semanas se não estive se bem preparada com a Ionara seria muito difícil… Pois a pressão da família foi muito grande… mexe muito com a gente. Pois cria discussão desnecessária…

O pós parto foi tranqüilo, ganhei alta no mesmo dia… os cuidados com a Natalia estava muito bem e consegui fazer tudo com muita tranqüilidade. Agora uns dos textos que a Ionara me passou falava … antes de ser mãe…vale a pena conferir… pois é bem o que acontece…

SÓ TENHO A AGRADECER A QUEM POSSIBILITOU QUE UM SONHO SE  TORNA-se REALIDADE… E QUE O TRAJETO DESSE SONHO FOSSE O MAIS TRANQUILO POSSIVEL.

OBRIGADO A DEUS… E OBRIGADO PELO TRABALHO MARAVILHOSO QUE VOCÊS VEM FAZENDO…

DR. PAULO POR TODO O CARINHO E SEGURANÇA, IONARA PELO PREPARO… E AO MEU ANJO RACHEL PELA ACOLHIDA… E A TRANQUILIDADE QUE ME POSSIBILITA-SE NA HORA DO PARTO.

MARILU, EDER E NOSSA LUZ… NATÁLIA…

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